O mito das reformas estruturais na Irlanda

Dublin_Soleir_Flickr_CC

Um dos economistas mais influentes da Irlanda estava há uns tempos sentado num daqueles jantares de malta financeira que juntam os economistas das várias instituições, dos governos, da troika e dos bancos centrais, e ao seu lado estava um homem do FMI:

Sr. FMI: Que bom que a Irlanda esteja a ter um desempenho tão notável, depois de tantas reformas estruturais difíceis e  com sucesso. Parabéns!

Sr. Irlanda: A sério, obrigado! Mas já agora, diga-me uma reforma que tenhamos feito?

Sr. FMI: Bom, não conheço bem os detalhes…

Sr. Irlanda: Não acha que se tivéssemos feito assim tantas reformas se lembraria de uma que fosse?

Sr. FMI:

O Sr. FMI não conseguiu referir uma.

A história foi-me contada em Dublin por um dos economistas irlandeses mais influentes do País e uma voz reconhecida entre banqueiros centrais. A questão, diz ele, é que a Irlanda não fez especiais reformas. Na verdade a Irlanda já gozava da flexibilidade que está ao centro do modelo de reformas da troika. Mais que a Alemanha, por exemplo.

Os elogios, continuou, são assim uma forma de pressionar os restantes países a copiar o modelo liberal que já governava a Irlanda muito antes da troika chegar. (Não que tenha conseguido especiais resultados nesta fase – digo eu).

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