A credibilidade de Maria Luís e Paulo Portas

Na opinião desta quinzena no Negócios passo em revista o “lamentável” desempenho de Paulo Portas na gestão da reforma do Estado e defendo que a sua fragilidade para a segunda metade do mandato é maior que a da ministra das Finanças, mesmo com os swaps:

1. No final do ano passado, Portas ficou responsável por coordenar e apresentar na sétima avaliação – em Fevereiro/Março – o guião para a reforma do Estado acordado com a troika e que previa cortes de 4 mil milhões de euros.

2. Chegados a Fevereiro/Março, limitou-se a avançar um enunciado vago de medidas, sem escolhas políticas claras – de tal forma que a sétima avaliação da troika se arrastou por vários meses, minando de forma séria e grave a credibilidade da estratégia do Governo e da troika.

3. Nessa altura, passou aliás a circular nos corredores do Governo a versão (e atenção que não era piada) que Portas ficara responsável não pelo corte de 4.000 milhões de euros na despesa, mas sim por um plano estratégico de médio e longo prazo, que maximizaria os fundos estruturais e pensaria o Estado do século XXI.

4. Em Maio, o Governo acordou finalmente o corte de despesa após pressão intensa da troika que veio três vezes a Lisboa. Portas aceitou e afinal só se importava com uma taxa sobre as pensões – a tal linha vermelha que traçou apenas para a pisar de seguida.

5. Portas volta a ficar responsável por concretizar o guião de cortes acordado com a troika… mas voltou a não fazer nada disso e em Junho, num conselho de ministros extraordinário, apresenta novamente um vago conjunto de medidas, como sublinhou sexta-feira no Diário Económico a Márcia Galrão.

6. Após a crise política espoletada pela demissão de Vítor Gaspar e pelo espírito volúvel do agora vice-primeiro-ministro volta, pela terceira vez, a assumir a reforma do Estado e já se escreve sobre isso como já não estivesse decidida em Maio…

Maria Luís até pode ter perdido credibilidade e margem política. Mas é bem mais espantoso que alguém ainda leve Paulo Portas a sério. Veremos como corre a sua negociação com a troika.

Visto por dentro, 05 de Agosto de 2013

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