Monthly Archives: February 2014

A anatomia de um erro

Os líderes europeus desvalorizaram a natureza e dimensão sistémica da crise europeia, confiando que com medidas agressivas de contenção orçamental seria possível extinguir a crise. Sem acesso aos mercados e altamente endividado no seio de uma união monetária deficiente, Portugal não poderia escapar à austeridade. Os resultados ficaram aquém do esperado. Embora seja fácil apontar os erros à posteriori, há razões para pensar que mais e melhor poderia ter sido feito. Com a ajuda de selecção dos economistas e artigos mais influentes durante a crise, revisitamos “o problema português”, a resposta europeia e exploramos possíveis desenvolvimentos.

In, “Anatomia de um erro”, capítulo de “A Austeridade Cura? A Austeridade mata?”, coord. por Eduardo Paz Ferreira

No meu contributo para “A austeridade cura? A austeridade mata?”, uma obra com mais de 80 perspectivas, fiz uma leitura à nossa Grande Recessão a partir de alguns dos principais artigos académicos ou de académicos. O objectivo foi caracterizar a resposta à crise e os seus erros. Aqui fica uma escolha:

  • Alesina, A. (2010), “Fiscal adjustments: lessons from recent history”, apresentação no Ecofin de Madrid de 15 de Abril de 2010
  • Barkbu, B. et al. (2012), “Fostering Growth in Europe Now”, IMF Staff discussion Note
  • Blanchard, O. (2006), Adjustment within the euro. The difficult case of Portugal
  • Blanchard, O. e Leigh, D. (2013) Growth Forecast Errors and Fiscal Multipliers, IMF Working Paper
  • Berrigan, J. (2013), “Vale a pena ouvir o novo chefe de missão da Comissão Europeia”, post no Massa Monetária, blogue do Negócios, com vídeo
  • Buti, M. e Carnot N. (2013), Fiscal policy in Europe: Searching for the right balance, Vox
  • Buti, M. e Turrini, A. (2012), Slow but steady? External adjustment within the Eurozone starts working, Vox
  • Cabral, R. (2013), The Euro Crisis and Portugal’s Dilemma,  in Austerity Measures in Crisis Countries – Results and Impact on Mid-term Development, Intereconomics, volume 48, number 1, 2013, page 4 to 32
  • De Grauwe, P. (2011), The European Central Bank as a lender of last resort, VOX
  • De Grauwe, P. (2011), “The Governance of a Fragile Eurozone”, KU Leuven
  • De Grauwe, P. e Ji, Y. (2013), “Panic-driven austerity in the Eurozone and its implications”, Vox
  • Gomes, S et al. (2011), “Structural reforms  and macroeconomic  performance in the euro  area countries a model-based assessment”, BCE
  • Gordon, J. et al. (2013),”Greece: Ex Post Evaluation of Exceptional Access Under the 2010 Stand-By Arrangement”. IMF
  • Gros, D. (2013), “Has austerity Failed in Europe”, Project Syndicate
  • Governo Português (2011), Memorando de Políticas Económicas e Financeiras
  • Krugman, P. (2013), “How the Case for Austerity Has Crumbled”, New York Review of Books
  • Pisani-Ferry, J. et al. (2013), “EU-IMF assistance to euro-area countries: an early assessment”, Bruegel
  • Reinhart, C. e Rogoff, K. (2008), “This time is different: A panoramic view of eight centuries of financial crises, NBER
  • Reis, R. (2012), The Portuguese Slump – Crash and the Euro-Crisis
  • Rodrik, D. (2013), “The Euro Crisis, Portugal, and Europe’s Future”, Apresentação em Lisboa
  • Sinn, H. (2012), “A Crisis in Full Flight”, Project Syndicate
  • Sinn, H. (2013), “Should Germany Exit the Euro?”, Project Syndicate
  • Soros, G. (2012), “Why Germany Should Lead or Leave”, Project Syndicate
  • Taylor, A. (2013), “When is time for austerity”, Vox
  • Turner, P. (2013) “Caveat creditor”, BIS
  • Wyplotz, C. e Pâris, P. (2013), “To end the Eurozone crisis, bury the debt forever”, VOX

austeridade cura

A mais completa análise à crise em Portugal

austeridade cura

Quem puder não deveria perder a oportunidade de passar hoje pela Fnac do Colombo pelas 18:30.

A “Austeridade cura? A austeridade mata?” é a análise mais completa e plural à crise em Portugal e na Europa, uma iniciativa de Eduardo Paz Ferreira. Recomenda-se vivamente a leitura e a compra.

Plano da tarde segundo a organização:

José Silva Lopes e João Ferreira do Amaral apresentam o livro “A austeridade cura? A austeridade mata?” coordenado por Eduardo Paz Ferreira, Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Presidente do IDEFF.

O livro inclui mais de oitenta depoimentos de personalidades, incluindo Adalberto Campos Fernandes, Adriano Moreira, António Cluny, António Garcia Pereira, Constantino Sakellarides, Diogo Leite Campos, Eduardo Ferro Rodrigues, Francesco Franco, Francisco Louçã, João César das Neves, João Confraria, Jorge Miranda, Jorge Simões, José Reis, Luis Salgado de Matos, Nuno Valério, Pedro Pitta Barros e Teodora Cardoso.

(Declaração de interesses: fiz um pequeno texto para a publicação sobre artigos académicos ou de académicos que influenciaram a história recente tentando descrever a crise e perceber os erros cometidos a combatê-la)

Portugal, um sucesso à força

A actual situação portuguesa é melhor do que há um ano e o País escapou à espiral recessiva grega. O Governo e os responsáveis da troika poderão fazer disto um sucesso, mas não o é. A situação é frágil, pior do que seria de esperar e é por isso que Portugal precisa de mais apoio financeiro externo, assim como de políticas que promovam o investimento, a inflação e o crescimento na Zona Euro. Esta é a razão para defender um cautelar, para pressionar o BCE a fazer mais pela periferia e para procurar políticas orçamentais mais razoáveis no plano nacional e europeu – incluindo a ponderação de alguma reestruturação de dívida. Isto não é nada demais, mas se a Europa e Portugal recusarem os seus erros, poderá revelar-se impossível.

Visto por dentro, 09 Fev. 2014