Monthly Archives: September 2014

Verão quente

Está a ser um verão quente: o BCE apresentou em Junho um novo pacote de estímulo monetário que inclui compra de dívida de PME; em Julho a Argentina entrou mais uma vez em default (desta vez forçado pela justiça norte-americana) e o BES foi ao fundo; e em Agosto Mario Draghi fez soar o alarme sobre o momento económico na Zona Euro. Estes são os temas dos últimos artigos de opinião no Visto por Dentro, do Negócios.

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Jerónimo Martins e BCP na Polónia

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Para um português que visite a Polónia é difícil não se cruzar com os logotipos do Bank Millennium e da Biedronka – Jerónimo Martins.

Mas para quem passe pela primeira vez pelo Economic Forum, o encontro anual em Krynica, que junta economistas, empresários e políticos principalmente das economias do leste e centro europeus, é difícil não se impressionar com o peso das duas empresas no evento. Em particular o da Biedronka – Jerónimo Martins, que entre as suas actividades promocionais inclui um pequeno Pingo Doce que alimenta à borla – e com vinho português: Marquês de Borba e Paço do Monsul – todos quantos queiram.

Um dos panfletos promocionais da Biedronka ajuda a perceber a dimensão da empresa: é maior empregador do País com 50 mil empregados, um dos maiores contribuintes e o maior distribuidor com 2500 lojas.

É claro que a partir o evento podemos ter uma outra medida da importância das duas instituições na economia polaca: a participação nos painéis de debate:

Algumas das principais ideias dos gestores nacionais:

Pedro Pereira Silva e as características de um líder:

  • O responsável da Jerónimo Martins não tem dúvidas: a principal característica necessária a um líder no século XXI é a “capacidade de construir ou recuperar uma relação de confiança”, seja com trabalhadores no caso das empresas, seja com os cidadãos no caso dos governos.
  • Num contexto de rápida e constante mutação do meio ambiente, de mais incerteza e mais informação, a tarefa dos líderes ficou “mais complexa”, acrescentou. Para se afirmar e garantir o sucesso,  o gestor considera que não há espaço para a micro-gestão. Um líder tem de se preocupar em definir claramente os valores do projecto e depois delegar poder (e responsabilidade) aos liderados.

João Brás Jorge e os quatro factores que ditam o sucesso da Polónia:

  • A grande vantagem do país são os seus “baixos custos de produção”. Não apenas salários – “embora muito importantes” -, mas a generalidade  dos “custos de produção”: transporte, logística, processos, detalha o gestor.
  • Há também um “’standard’ em termos de produtividade que segue o padrão alemão”;
  • É ainda importante tratar-se de um mercado interno com grande dimensão;
  • Entre os elementos que poderiam ser melhores, mas que ainda assim considera positivos estão: o funcionamento dos tribunais, a flexibilidade laboral e a estrutura fiscal;
  • Pela negativa, destacam-se as más infraestruturas.

Cuidado com os economistas

(Reflexões e destaques a partir do debate “Balanced Public Finances: what is key for success” que moderei no Economic Forum, em Krynica, na Polónia)

Há uns dias no “Visto por Dentro” no Negócios, num texto de opinião que destacava a importância de um recente discurso de Mario Draghi que salientou a importância da Europa estimular a procura agregada, brinquei no título com uma pergunta: “o BCE virou keynesiano?”.

É evidente que Draghi não virou keynesiano – e há sequer razão para um debate em torno do tema: o presidente do BCE tratou simplesmente de chamar a atenção para a necessidade de usar todas as armas disponíveis para tentar relançar a economia e evitar a deflação que ameaça o bloco (a este respeito será muito interessante ouvir novamente Draghi na conferência de imprensa de quinta-feira em Frankfurt).

A chamada de atenção em nada diminuiu a importância das reformas estruturais para o crescimento de médio e longo prazo (e logo também para a saúde das finanças públicas) e ninguém dúvida do empenho do BCE a promover a reforma e flexibilização das economias europeias. Mas o problema é que já não é possível ignorar que, após cinco anos de combate à crise, a Zona Euro estagnou, a inflação está em 0,3%, as expectativas de inflação de médio e longo prazo caíram abaixo dos 2% defendidos pelo BCE, e que a taxa de desemprego permanece inaceitavelmente elevada. Não é possível ignorar?! Bom, é possível sim: pelo menos se juntarmos um grupo de economistas para reflectir sobre como garantir finanças públicas equilibradas. Foi o aconteceu no debate que moderei no “Economic Forum”, em Krynica, na Polónia, com o título: “Balanced Public Finances: what is key for sucess”.

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Desafios orçamentais vistos a partir da Polónia

Chamam-lhe “Davos de Leste” e reúne há 24 anos na Polónia empresários, economistas e políticos para debater os desafios europeus na perspectiva das economias do centro e leste europeus.

O Economic Forum decorre entre terça e quinta-feira e o momento e o local promete um encontro interessante. A Polónia – que recebe duas grandes empresas portuguesas – Jerónimo Martins e o Millennium bcp – resistiu às dificuldades políticas e económicas da UE e conseguiu a presidência do Conselho Europeu no fim de semana. O conflito na Ucrânia continua a escalar aumentando a incerteza económica, energética e política na Europa. E a crise económica europeia prolonga-se colocando desafios muito diferentes aos países de Leste (menos endividados) e aos do Sul da UE.

Neste contexto moderei ontem um painel sobre Finanças Públicas em que participaram:

  • Marina Wes, Poland Country Manager, World Bank;
  • Javier Valles, Senior Economic Advisor, the Bank of Spain;
  • Vazil Hudak, State Secretary, Ministry of Finance Slovakia;
  • Janusz Jankoviak, Chief Economist, Polish Business Roundtable;
  • James Roaf, Senior Regional Representative for central and eastern Europe, IMF

O representante do FMI ficou preso no caminho na quinta de manhã e ficámos apenas com algumas notas. Estava também prevista a participação do Presidente da Comissão Parlamentar de Orçamento da Ucrânia que acabou por não aparecer. Do debate há vários elementos que vale a pena destacar: um dos mais interessantes talvez seja a forma como mesmo perante o mau momento económico europeu, o discurso oficial continua a não atribuir especial papel à política orçamental no curto prazo. Aprofundo o tema no post: “Cuidado com os economistas“.