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“Erros da troika” vão a Braga (24 Nov.)

Na segunda-feira, 24 de Novembro, estarei em Braga para apresentar os “erros da troika”. Pelas 18.30 horas estarei na “Centésima Página” para uma conversa sobre o livro, com Manuel Caldeira Cabral, professor da Universidade do Minho. Quem quiser e puder, apareça!

Durante a manhã, numa sessão fechada, terei o prazer de conversar sobre o livro com alunos da faculdade de economia da Universidade do Minho (Escola de Economia e Gestão), uma estreia do debate em torno dos “erros da troika” junto dos nossos jovens. Nas próximas semanas os “erros da troika” irão também ser debatidos com alunos na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, e do Instituto Politécnico de Tomar.

Será bom ver o que quais são os erros, e os entraves e as políticas correctas para Portugal aos olhos dos nossos universitários.

 

 

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Um livro notável sobre o futuro da economia portuguesa

11.10_livro

Without denying the need to adjust public and private balance sheets, it is argued that finding a sustainable path out of the present problems requires addressing the challenges of productivity growth and competitiveness in the long term.

Structural Change, Competitiveness and Industrial Policy – Painful lessons from the European periphery

 

Procurar perceber o presente para escolher o futuro. É este o contributo de “Structural Change, Competitiveness and Industrial Policy – Painful lessons from the European periphery”, publicado pela Routledge, e apresentado recentemente (com os comentários de Elisa Ferreira e José Madureira Pinto como nos conta Fernando Frei de Sousa sobre o lançamento no Porto).

“As lições dolorosas da periferia europeia”, coordenado por três portugueses – Aurora Teixeira (FEP), Ester Silva (FLUP) e Ricardo Paes Mamede (ISCTE) – conta com artigos de economistas dos vários países da periferia europeia sobre a crise e os ajustamentos em curso.  Trata-se de um contributo notável para o debate nacional por várias razões.

Desde logo pelo esforço de coordenação e cooperação entre mais de duas dezenas de autores, de várias universidades, construindo uma abordagem multidimensional à crise dos últimos anos (enfrentando temas que vão desde as finanças e as disfuncionalidades da união monetária, até às estratégias industriais e de inovação, à produtividade e à competitividade), satisfazendo assim condições essenciais para percebermos a complexidade do choque e desafio que a periferia enfrenta. (José Madureira Pinto, que fez a apresentação do livro no Porto juntamente com Elisa Ferreira, oferece-nos uma valiosa síntese dos vários artigos).

Em segundo lugar, o livro merece nota por fazer aquilo que a maioria dos académicos das universidades portuguesas se tem demitido de fazer, com prejuízos claros para o país: estudar a realidade nacional e procurar e propor respostas para os desafios mais urgentes da economia nacional. É constrangedor ver, por exemplo, a forma como as avaliações  e conclusões da Comissão Europeia, BCE ou FMI tendem a dominar o debate sobre políticas públicas, sem contrapontos ou contributos significativos nacionais, por exemplo no desenho das chamadas “reformas estruturais”.

As lições dolorosas da crise são ainda importantes por evidenciarem a natureza específica dos problemas e desafios da periferia europeia no contexto das inconsistências da união económica e monetária. A explicitação desta dupla dimensão do problema – nacional e europeu – convoca à reflexão sobre a natureza necessariamente complementar das políticas decididas nas duas esferas – um elemento que tem estado quase ausente do discurso político nacional.

Finalmente, trata-se de um livro provocador nos diagnósticos e nas propostas. Os textos recentram o problema nacional no que é o seu mais importante desafio: como escapar à armadilha da baixa produtividade (e crescimento) em que caiu nos últimos 15 anos, apesar de ter espaço de evolução face às economias mais desenvolvidas. E procuram respostas nos contributos que as políticas públicas podem dar, com destaque para o contributo de políticas de desenvolvimento industrial para necessários ganhos de produtividade e competitividade.

Recensões e críticas aos “Erros da Troika”

capa_erros

Eu li o livro. Contém uma boa visão geral do programa. O meu problema principal (no que se refere ao livro) é que todas as dificuldades vividas depois de 2010 aparentam ser atribuídas ao programa.

Albert Jaeger, representante permanente do FMI em Lisboa, entrevista a Anabela Mota Ribeiro, Negócios.

 

 

 

 

Nos últimos meses “os erros da troika” tem dado um pequeno contribuído para o debate dentro e fora da troika sobre as políticas dos últimos anos.

Vale a pena destacar algumas notas entretanto publicadas e deixar um agradecimento aos autores por aceitarem o convite implícito para o debate. Esse é, afinal, o seu principal objectivo.

Nos últimos tempos multiplicam-se os livros que procuram diagnosticar a doença e até os que apresentam curas mais ou menos miríficas, na generalidade dos casos assentes na conhecida terapia medieval de continuar a tirar sangue aos doentes.

Rui Peres Jorge, em os Dez Erros da Troika em Portugal, não vem oferecer qualquer dessas terapias, mas presta um serviço inestimável ao País ao reunir e tratar com rigor e clareza exemplar, o que foi a experiência da assistência financeira em Portugal e porque é que ela nos conduziu ao País que descrevemos.

“Os dez erros que abalaram Portugal”, Eduardo Paz Ferreira, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa, Jornal de Letras

Pessoalmente, preferia que tivesse sido dada maior importância e de forma mais destacada às razões não imediatas que nos levaram a pedir ajuda à “troika”. Desde 1996 que Portugal apresentou défices externos significativos, agravados por políticas erradas, que nos conduziram à estagnação económica desde 2000. Até para desfazer qualquer tipo de ideia que só a “troika” cometeu erros.

“Os 10 erros da “troika” em Portugal”, Pedro Braz Teixeira, Investigador do Nova Finance Center, Negócios

 

Registei as muitas concordâncias – são tantos os “erros” da troika – e também as poucas discordâncias, chamemos-lhes assim por simetria – por exemplo, uma tendência natural para valorizar elementos intelectuais e políticos mais contingentes, em detrimento dos mais estruturais, associados à natureza da Zona Euro e a um país sem soberania e sem forças capazes de a reconquistar, e para considerar aqui e ali, implicitamente, como único contrafactual uma austeridade menos excessiva na periferia no quadro de um ajustamento mais simétrico da zona

“Dez erros na melhor das hipóteses”, João Rodrigues, professor na FEUC, Ladrões de Bicicletas

 

É interessante como põe em relevo as lições da economia que nos governa. E, mais importante ainda, quando Rui Peres Jorge nos sistematiza as lições que extrai de várias mutações operadas: do chamamento da austeridade aos problemas de cálculo dos multiplicadores, da culpabilização da Constituição à demonização do Tribunal Constitucional, do elogio à banca ao camuflar do empobrecimento, etc.

“O ajustamento desajustado”, Sandro Mendonça, professor no ISCTE Business School, Expresso

Chegou a hora de construir o pós-troika, de superar a economia armadilhada por baixos níveis de qualificação, pouca inovação, e o mais que se sabe. Mas para construir em bases firmes o pós-troika é preciso identificar e perceber os porquês destes 10 erros que a troika foi semeando e a que o Governo se resignou.

“Os 10 erros da Troika em Portugal”, Mário Beja Santos, especialista em direito do consumidor, vários, Jornal O Ribeira de Pêra

 

Finalmente, a melhor apresentação do livro, em vídeo, foi feita pela Filipa Lino no Negócios.

Portugal SA e o interesse nacional

O mais surreal no debate sobre o “interesse nacional” no caso da Portugal Telecom é ver uma oferta angolana a prometer defendê-lo. Mas o mais impressionante é a forma radical como o Governo remete tudo para a esfera privada (e em contraste até com governos liberais como o de David Cameron), e a oposição parlamentar parece incapaz de definir o que entende por interesse nacional e de como deve ser defendido (seja nas privatizações, seja em negócios que envolvem grande empresas de base nacional como a PT).

Este é o tema da opinião no Visto por Dentro em que proponho um mínimo para defesa do nosso interesse:

A PT é uma dos maiores empregadores portugueses e cliente de muitas outras PME, é uma das poucas grandes empresas com base nacional e responsável por uma fatia importante do investimento em investigação e desenvolvimento no País. Numa empresa assim, o Estado não só pode, como deve meter a colher. E o mínimo é exigir compromissos públicos e claros sobre os seus planos de curto e médio prazo para o número de trabalhadores e de empregos qualificados e para os níveis de investimento que pretende fazer, nomeadamente em investigação e desenvolvimento.

Visto por Dentro, 18 Novembro de 2014