Um livro notável sobre o futuro da economia portuguesa

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Without denying the need to adjust public and private balance sheets, it is argued that finding a sustainable path out of the present problems requires addressing the challenges of productivity growth and competitiveness in the long term.

Structural Change, Competitiveness and Industrial Policy – Painful lessons from the European periphery

 

Procurar perceber o presente para escolher o futuro. É este o contributo de “Structural Change, Competitiveness and Industrial Policy – Painful lessons from the European periphery”, publicado pela Routledge, e apresentado recentemente (com os comentários de Elisa Ferreira e José Madureira Pinto como nos conta Fernando Frei de Sousa sobre o lançamento no Porto).

“As lições dolorosas da periferia europeia”, coordenado por três portugueses – Aurora Teixeira (FEP), Ester Silva (FLUP) e Ricardo Paes Mamede (ISCTE) – conta com artigos de economistas dos vários países da periferia europeia sobre a crise e os ajustamentos em curso.  Trata-se de um contributo notável para o debate nacional por várias razões.

Desde logo pelo esforço de coordenação e cooperação entre mais de duas dezenas de autores, de várias universidades, construindo uma abordagem multidimensional à crise dos últimos anos (enfrentando temas que vão desde as finanças e as disfuncionalidades da união monetária, até às estratégias industriais e de inovação, à produtividade e à competitividade), satisfazendo assim condições essenciais para percebermos a complexidade do choque e desafio que a periferia enfrenta. (José Madureira Pinto, que fez a apresentação do livro no Porto juntamente com Elisa Ferreira, oferece-nos uma valiosa síntese dos vários artigos).

Em segundo lugar, o livro merece nota por fazer aquilo que a maioria dos académicos das universidades portuguesas se tem demitido de fazer, com prejuízos claros para o país: estudar a realidade nacional e procurar e propor respostas para os desafios mais urgentes da economia nacional. É constrangedor ver, por exemplo, a forma como as avaliações  e conclusões da Comissão Europeia, BCE ou FMI tendem a dominar o debate sobre políticas públicas, sem contrapontos ou contributos significativos nacionais, por exemplo no desenho das chamadas “reformas estruturais”.

As lições dolorosas da crise são ainda importantes por evidenciarem a natureza específica dos problemas e desafios da periferia europeia no contexto das inconsistências da união económica e monetária. A explicitação desta dupla dimensão do problema – nacional e europeu – convoca à reflexão sobre a natureza necessariamente complementar das políticas decididas nas duas esferas – um elemento que tem estado quase ausente do discurso político nacional.

Finalmente, trata-se de um livro provocador nos diagnósticos e nas propostas. Os textos recentram o problema nacional no que é o seu mais importante desafio: como escapar à armadilha da baixa produtividade (e crescimento) em que caiu nos últimos 15 anos, apesar de ter espaço de evolução face às economias mais desenvolvidas. E procuram respostas nos contributos que as políticas públicas podem dar, com destaque para o contributo de políticas de desenvolvimento industrial para necessários ganhos de produtividade e competitividade.

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