Monthly Archives: November 2015

Novas tendências nos jornais em debate na Lusófona

Terça-feira, dia 1, participarei numa conferência/aula aberta na Universidade Lusófona sobre “Novas Práticas para os Media Digitais” ao lado de Walter Dean. Um privilégio permitido pela Sara Pina que quer pôr alunos e profissionais a pensar sobre o futuro desta nossa profissão. Bem precisamos, tal a crise que atravessamos.

O debate surge numa semana triste para o jornalismo português com o anúncio do despedimento de dois terços dos trabalhadores dos jornais “Sol” e “i“. Os profissionais que ficarem, além de cortes salariais, terão de garantir que os dois jornais continuam a ir para as bancas. Nada de animador se poderá esperar deste tipo de estratégia empresarial. Simplesmente não há omeletes sem ovos.

Sem surpresa, a apresentação que levarei começará por dar conta da elevada taxa de desemprego e precariedade entre jornalistas. Uma tendência já bem conhecida dos últimos anos e que, parece-me, não está a ser devidamente valorizada na sociedade. É o resultado da crise mais geral, mas também do que parece ser uma perda do valor económico da informação.

Mas tentarei também olhar para boas notícias. Entre os escombros, a comunidade jornalística está a tentar reagir com pequenos e um grande projecto e ideias que vêm aparecendo. Todos eles, no entanto, parecem ainda enfrentar o grande desafio de encontrar modelos de negócios consistentes com as necessidades da população. Até lá, continuaremos muito provavelmente nesta angústia e muita desorientação que marca o jornalismo dos nossos dias. 

NOVAS-PRÁTICAS-PARA-OS-MEDIA-DIGITAIS

   

 

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Salários nunca pesaram tão pouco em Portugal. Maior queda da Zona Euro

Hoje no Negócios João Leão (ISCTE) e Francesco Franco (Nova) ajudam a explicar uma alteração espectacular na economia portuguesa e as suas consequências: Portugal registou a maior queda na Zona Euro do peso dos salários na economia (que assim perdem para juros, lucros e rendas). Está hoje em mínimos históricos e abaixo da média do euro.

Aqui fica um gráfico pedido emprestado ao Negócios:

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A Irlanda é um tigre muito particular

Bom texto do Pedro Romano sobre o milagre económico irlandês (O Tigre Celta, os impostos, as reformas estruturais e alguns exageros). Fica um teaser:

Se leu o post até aqui pode ficar com a impressão de que os impostos baixos e reformas estruturais não interessam. Claro que interessam, e até há quem pense que no caso de Portugal interessam muito. A questão é não há evidência nenhuma de que alguma destas válvulas permita desencadear milagres económicos. A história do Tigre Celta – tal como a história anterior dos Tigres Asiáticos – é muito mais complexa do que parece à primeira vista. Nestas coisas, infelizmente, não conhecemos balas de prata.

O “post” evidencia cuidados importantes em análises económicoas, em particular a relevância de especificidades nacionais – no caso irlandês a importância das filiais estrangeiras, os importantes fluxos de imigração e a envolvente externa, em particular o do Reino Unido.

Ao lê-lo pensei que sublinharia ainda proximidade histórica, cultural e linguística com os EUA, e por momentos regressei a 2013, quando visitei Dublin, onde Tom Flavin, professor de Finanças, e um filho do milagre de crescimento irlandês, me levou numa viagem pelo final dos anos 80, os enibriantes anos 90, e os exageros que se seguiram. O resultado foi publicado numa reportagem no Negócios – “De tigre celta a tigre de papel” (só para assinantes) – de que partilho parte de seguida. É uma boa leitura complementar à do Pedro:

“Quando digo aos meus alunos que quando trabalhei aqui [no centro financeiro de Dublin] existiam apenas quatro empresas ficam atónicos”, diz [Tom Flavin] a sorrir enquanto nos faz uma visita guiada no tempo e no espaço. Foi um salto impressionante. A Irlanda vinha de um período de crescimento moderado e experimentava um dos níveis de vida dos mais baixos da Europa. Nos anos 80, o PIB por habitante ajustado ao poder de compra era substancialmente inferior ao grego e ao espanhol e superior ao português em apenas cerca de 20% – um valor que em 2007 saltou para perto de 90%. Em 1986, aquando da adesão de Portugal à CEE, o desemprego irlandês atingia os 16,8% da população activa, quase o dobro do valor português e o segundo valor mais elevado da União Europeia.

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Economistas e deputados da nova geração debatem “O que fazer com este país”.

Quinta-feira, pelas 18 horas, no auditório  ISCTE estarei a moderar um dos debates a que mais gostaria de assistir.

A Associação de Estudantes do ISCTE junta a nova geração de economistas e deputados para discutirem “O que fazer com este país”, a partir do livro com o mesmo título de Ricardo Paes Mamede, professor na escola. Sobre o livro escreverei mais tarde. Fica o convite para o debate (a entrada é livre) que, além de Ricardo Paes Mamede, conta com Duarte Marques (PSD), Francisco Mendes da Silva (CDS), João Ferreira (PCP), João Galamba (PS) e Mariana Mortágua (Bloco de Esquerda).

Promete. Apareçam!

 

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