Category Archives: Glasnost

Desemprego de 25%: não há bom jornalismo assim

Ontem mais de 100 pessoas terão perdido o emprego no “Sol” e no “i”, a maior parte jornalistas. Desde 2009 são já 1200 empregos destruídos nas empresas de comunicação social, conta o Expresso. Despedimentos colectivos, rescisões “amigáveis”, não renovação de contratos, muitos caminhos para um resultado: uma redução abrupta do número de profissionais que fazem as notícias.

Não é fácil calcular a taxa de desemprego para uma profissão. Tentei uma aproximação a partir da melhor amostra que consegui: o número de sindicalizados. Entre eles, cerca de 25% não tem emprego e 12% trabalha por conta própria. Ou seja, entre jornalistas podemos estar perante uma taxa de desemprego de 25%, mais do dobro da média do país. Quase 4 em cada 10 ou não terá emprego ou é freelancer com elevados riscos de precariedade salarial e laboral.

A sociedade pode não estar a dar a devida atenção ao problema. A evolução dos últimos anos constitui uma ameaça concreta à qualidade do jornalismo e à independência dos jornalistas. Não é possível esperar bom jornalismo de um grupo de profissionais que enfrenta periodicamente despedimentos em massa, por vezes repetidos nas mesmas empresas, alimentando uma depressão salarial constante, um receio permanente de perder o emprego, uma alta pressão para produzir mais e mais em menos tempo.

Não quero ser corporativista. Em parte, a crise é também responsabilidade dos jornalistas. Creio que podíamos fazer muito melhor. Muito menos “offs”, um instrumento com elevado e evidente risco de manipulação; mais verificação de informação que é como quem diz menos notícias conspirativas e mais factuais; histórias melhor contadas; mais preocupação com o cidadão (e menos com as fontes e os poderosos); e maior responsabilização dos poderes públicos. Tudo isto poderia melhorar, e muito. Mas que não haja confusão: não há bom jornalismo com taxas de desemprego de 25%. São bons tempos para quem queira tentar vergar as regras de uma profissão que se quer imaginativa, exigente e destemida.

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Novas tendências nos jornais em debate na Lusófona

Terça-feira, dia 1, participarei numa conferência/aula aberta na Universidade Lusófona sobre “Novas Práticas para os Media Digitais” ao lado de Walter Dean. Um privilégio permitido pela Sara Pina que quer pôr alunos e profissionais a pensar sobre o futuro desta nossa profissão. Bem precisamos, tal a crise que atravessamos.

O debate surge numa semana triste para o jornalismo português com o anúncio do despedimento de dois terços dos trabalhadores dos jornais “Sol” e “i“. Os profissionais que ficarem, além de cortes salariais, terão de garantir que os dois jornais continuam a ir para as bancas. Nada de animador se poderá esperar deste tipo de estratégia empresarial. Simplesmente não há omeletes sem ovos.

Sem surpresa, a apresentação que levarei começará por dar conta da elevada taxa de desemprego e precariedade entre jornalistas. Uma tendência já bem conhecida dos últimos anos e que, parece-me, não está a ser devidamente valorizada na sociedade. É o resultado da crise mais geral, mas também do que parece ser uma perda do valor económico da informação.

Mas tentarei também olhar para boas notícias. Entre os escombros, a comunidade jornalística está a tentar reagir com pequenos e um grande projecto e ideias que vêm aparecendo. Todos eles, no entanto, parecem ainda enfrentar o grande desafio de encontrar modelos de negócios consistentes com as necessidades da população. Até lá, continuaremos muito provavelmente nesta angústia e muita desorientação que marca o jornalismo dos nossos dias. 

NOVAS-PRÁTICAS-PARA-OS-MEDIA-DIGITAIS

   

 

“Os 10 erros da troika em Portugal” chegam à Alemanha – Apresentação

“Os 10 erros da troika em Portugal” estiveram na semana passada em debate na TFM, a emblemática livraria de língua portuguesa em Frankfurt. Preparei um texto que actualiza alguma informação do livro com os desenvolvimentos do último ano e defendo que a perspectiva de um ajustamento bem sucedido pode ser ilusória. Ideias centrais:

  • A dívida externa nacional ainda não baixou, mantendo-se acima dos 200% do PIB.
  • As perspectivas de crescimento de médio longo prazo apontam para um crescimento anual inferior a 2% ao ano, o que frustra as expectativas criadas com as alegadas reformas estruturais.
  • O colapso do BES em Agosto de 2014, já depois da conclusão do programa de ajustamento, reforça o diagnóstico de que as autoridades europeias, a troika, o Governo e o Banco de Portugal foram demasiado brandos com a reforma do sistema financeiro.
  • Os níveis de crescimento previstos dificilmente garantem a sustentabilidade da dívida quando as taxas de juro começarem a subir.
  • O Estado registará nos próximos anos necessidades de financiamento superiores a 15% do PIB, o limite que faz disparar os alarmes da sustentabilidade da dívida, em particular em Washington;
  • O risco do efeito ABC. A diversificação das exportações é positiva, mas não chegou sem riscos: três dos principais motores dessa diversificação – Angola, Brasil e China – atravessam momentos difíceis. Estes três países são também responsáveis por parte importante do Investimento directo estrangeiro dos últimos anos.
  • A queda da taxa de desemprego para níveis de 2011 é salutar, mas não é verdade que se possa considerar que a situação no mercado de trabalho seja semelhante à de há quatro anos. Agora, mais de metade dos desempregados estão nessa situação há mais de um ano e cerca de metade há mais de dois anos. O número de trabalhadores desencorajados e de “part-times” involuntários é também maior. A taxa de desemprego “real” calculada pelo próprio FMI aproxima-se dos 20% e por aí poderá ficar nos próximos anos.

Se isto é um sucesso…

 

Os 10 erros da troika – Lesung und Gespräch mit Rui Peres Jorge

Rui Peres Jorge: Os 10 erros da TroikaKurz nach der Parlamentswahl in Portugal, die Anfang Oktober stattfindet, freuen wir uns, Sie am Mittwoch, dem 7. Oktober, um 19.00 Uhr zu einer Lesung und Diskussion mit dem portugiesischen Autor und Wirtschaftsjournalisten Rui Peres Jorgeeinzuladen.

Es moderiert Nuno Cassola(Wirtschaftswissenschafter bei der Europäischen Zentralbank). Die zweisprachige Diskussion wird von Sophie Kotanyigedolmetscht.
Rui Peres Jorge stellt sein Buch Os 10 erros da Troika em Portugal (Die 10 Fehler der Troika in Portugal) vor, das im vergangenen Jahr in Portugal veröffentlicht wurde, noch nicht in deutscher Übersetzung vorliegt und die Probleme des Portugal von der Troika auferlegten Sparprogramms kritisch unter die Lupe nimmt.

Wir freuen uns auf Ihren Besuch.

Eintritt 5 Euro

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Pouco depois das eleições em Portugal, temos o prazer de o convidar para a apresentação do livro Os 10 erros da Troika em Portugal do autor, economista e  jornalista português Rui Peres Jorge. A sessão será moderada por Nuno Cassola (economista do Banco Central Europeu). Sophie Kotanyi será a tradutora dessa sessão bilingue que se realizará na nossa livraria (Frankfurt-Bockenheim, Große Seestraße 47), quarta-feira, 7 de outubro, às 19:00 horas.
Rui Peres Jorge, que estará presente, nasceu em 1977,  é autor, economista e jornalista no Jornal de Negócios e acompanhou a passagem da troika por Portugal desde o início.

Entrada: 5 Euros

Aprender jornalismo

Os últimos meses estão a ser feitos a aprender jornalismo. Eu com os meus alunos, eles comigo e com os que vão fazendo esta profissão na qual tenho privilégio de trabalhar na redacção e na sala de aulas.

No Economy Lab, o blogue dos alunos de Jornalismo Económico da Universidade Católica de 2015, vão sendo publicados resultados desta nossa temporada. E há bons trabalhos, com destaque para as notícias sobre a GALP. Para todos estes foi preciosa a ajuda de Pedro Marques Pereira e de Pedro Dias, responsáveis na empresa, que nos ofereceram algum do seu tempo. Um obrigado, claro.

Na pequena turma da Católica entramos agora na recta final. Alguns tentarão a sua sorte no jornalismo, outros nem por isso, mas todos ficarão com uma melhor ideia da importância de explicar e verificar o que se passa à nossa volta, da lealdade ao leitor, e de tornar interessante o que é importante. E com isso aprendemos em conjunto um pouco mais sobre esta bela profissão.

Ainda o racionamento no SNS

Há uns tempos escrevi no Visto por Dentro sobre os riscos de racionamento no SNS e a obrigação política do Governo de analisar o problema e tornar pública essa avaliação.

Paulo Macedo, um ministro que passou por esta crise ao comando de uma das áreas que mais cortou na despesa, tem o seu mandato associado a esse sucesso, mesmo sem reformas que se vejam. Isso é pouco, especialmente para um ministro da Saúde. E pode vir a ser chocante. É por isso urgente e é sua obrigação analisar o impacto da austeridade nos resultados e nos serviços prestados pelo SNS. O risco é daqui a uns anos olharmos para trás e percebermos que, afinal, estava tudo tão claro e não fizemos nada.

Desde então sucederam-se notícias sobre problemas graves na saúde que tornam ainda mais

O Pedro Pita Barros escreveu um texto interessante sobre a inevitabilidade do racionamento em Saúde, especialmente em tempos de crise.  O Governo parece responder a apelos desesperados, mas faria melhor em contratar uma a análise externa ao que está, afinal, a acontecer na Saúde.

Um tema por dia em economia

A Economia Info tem novidades:

Os que vão acompanhando a Economia Info já deram por conta da alteração: entrámos em 2015 com um ajuste à nossa informação diária.

Mantemos o acompanhamento da actualidade na agenda e as escolhas das melhores histórias do dia, mas escolhemos um tema que aprofundamos com a ajuda de dados, opiniões e a investigação que vai ser publicada por cá e lá fora.

Como sempre, o objectivo é contribuir em português para um melhor conhecimento do mundo económico à nossa volta, destapando enviesamentos e mostrando de forma simples os desenvolvimentos que vão marcando as nossas vidas.

Temos também uma nova foram de chegar até ao leitores: uma curta newsletter diária por email, que se junta à aplicação para iOS que passou a ser gratuita. Já não tem razão para não nos seguir.

Venha daí, participe e diga-nos como poderíamos melhorar.

“Erros da troika” vão a Braga (24 Nov.)

Na segunda-feira, 24 de Novembro, estarei em Braga para apresentar os “erros da troika”. Pelas 18.30 horas estarei na “Centésima Página” para uma conversa sobre o livro, com Manuel Caldeira Cabral, professor da Universidade do Minho. Quem quiser e puder, apareça!

Durante a manhã, numa sessão fechada, terei o prazer de conversar sobre o livro com alunos da faculdade de economia da Universidade do Minho (Escola de Economia e Gestão), uma estreia do debate em torno dos “erros da troika” junto dos nossos jovens. Nas próximas semanas os “erros da troika” irão também ser debatidos com alunos na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, e do Instituto Politécnico de Tomar.

Será bom ver o que quais são os erros, e os entraves e as políticas correctas para Portugal aos olhos dos nossos universitários.