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Dois terços dos portugueses diz confiar nas notícias

Uma boa notícia no meio da crise dos jornais em Portugal. Um recente (e muito interessante) relatório do Reuters Institute for the Study of Jornalism estima, com base em inquéritos, que 66% dos portugueses confia na maior parte das vezes nas notícias.

Esta foi uma das boas notícias que contrapus às más notícias sobre a actual situação do jornalismo em Portugal, numa apresentação sobre “a paisagem noticiosa em Portugal” “. A sessão ocorreu na Universidade Lusófona e contou com Walter Dean, que nos falou sobre a situação nos Estados Unidos e ficou surpreendido com a credibilidade das notícias por cá.

Há esperança. A credibilidade do jornalismo está em alta em Portugal. É o valor mais elevado entre nove países europeus.

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Salários nunca pesaram tão pouco em Portugal. Maior queda da Zona Euro

Hoje no Negócios João Leão (ISCTE) e Francesco Franco (Nova) ajudam a explicar uma alteração espectacular na economia portuguesa e as suas consequências: Portugal registou a maior queda na Zona Euro do peso dos salários na economia (que assim perdem para juros, lucros e rendas). Está hoje em mínimos históricos e abaixo da média do euro.

Aqui fica um gráfico pedido emprestado ao Negócios:

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A Irlanda é um tigre muito particular

Bom texto do Pedro Romano sobre o milagre económico irlandês (O Tigre Celta, os impostos, as reformas estruturais e alguns exageros). Fica um teaser:

Se leu o post até aqui pode ficar com a impressão de que os impostos baixos e reformas estruturais não interessam. Claro que interessam, e até há quem pense que no caso de Portugal interessam muito. A questão é não há evidência nenhuma de que alguma destas válvulas permita desencadear milagres económicos. A história do Tigre Celta – tal como a história anterior dos Tigres Asiáticos – é muito mais complexa do que parece à primeira vista. Nestas coisas, infelizmente, não conhecemos balas de prata.

O “post” evidencia cuidados importantes em análises económicoas, em particular a relevância de especificidades nacionais – no caso irlandês a importância das filiais estrangeiras, os importantes fluxos de imigração e a envolvente externa, em particular o do Reino Unido.

Ao lê-lo pensei que sublinharia ainda proximidade histórica, cultural e linguística com os EUA, e por momentos regressei a 2013, quando visitei Dublin, onde Tom Flavin, professor de Finanças, e um filho do milagre de crescimento irlandês, me levou numa viagem pelo final dos anos 80, os enibriantes anos 90, e os exageros que se seguiram. O resultado foi publicado numa reportagem no Negócios – “De tigre celta a tigre de papel” (só para assinantes) – de que partilho parte de seguida. É uma boa leitura complementar à do Pedro:

“Quando digo aos meus alunos que quando trabalhei aqui [no centro financeiro de Dublin] existiam apenas quatro empresas ficam atónicos”, diz [Tom Flavin] a sorrir enquanto nos faz uma visita guiada no tempo e no espaço. Foi um salto impressionante. A Irlanda vinha de um período de crescimento moderado e experimentava um dos níveis de vida dos mais baixos da Europa. Nos anos 80, o PIB por habitante ajustado ao poder de compra era substancialmente inferior ao grego e ao espanhol e superior ao português em apenas cerca de 20% – um valor que em 2007 saltou para perto de 90%. Em 1986, aquando da adesão de Portugal à CEE, o desemprego irlandês atingia os 16,8% da população activa, quase o dobro do valor português e o segundo valor mais elevado da União Europeia.

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Economistas e deputados da nova geração debatem “O que fazer com este país”.

Quinta-feira, pelas 18 horas, no auditório  ISCTE estarei a moderar um dos debates a que mais gostaria de assistir.

A Associação de Estudantes do ISCTE junta a nova geração de economistas e deputados para discutirem “O que fazer com este país”, a partir do livro com o mesmo título de Ricardo Paes Mamede, professor na escola. Sobre o livro escreverei mais tarde. Fica o convite para o debate (a entrada é livre) que, além de Ricardo Paes Mamede, conta com Duarte Marques (PSD), Francisco Mendes da Silva (CDS), João Ferreira (PCP), João Galamba (PS) e Mariana Mortágua (Bloco de Esquerda).

Promete. Apareçam!

 

o que fazer

 

 

 

 

 

Somos todos Sepp Blatter?

É por isso urgente encontrar novas formas de regulação assentes num esforço inter-governamental que garanta transparência e responsabilização na FIFA, UEFA e das federações nacionais. Se não fizermos nada, poderemos muito bem acabar todos cúmplices de Sepp Blatter e da perpetuação da corrupção no desporto mais bem sucedido da história. O futebol é demasiado importante para ser deixado a si próprio.

Visto por dentro, 29 de Maio

“Weidmann evita Draghi como a peste”

A Reuters escreve sobre as relações entre o Presidente do BCE e o Presidente do Bundesbank. A crise no euro não é acabou. Muito pelo contrário…

É um dos textos de destaque da edição de hoje da Economia Info. Fica um excerto:

“The relationship is totally rotten, it’s beyond repair,” said a second official who knows them both.

“It has become personal,” a third official from the ECB said. “Whenever Draghi and Weidmann are somewhere at the same event, there are bets about whether their paths are going to cross. Weidmann avoids Draghi like the plague.”

Mario Draghi’s German Problem, Reuters, 24 Out. 2014

“Os 10 Erros da Troika em Portugal” nas livrarias

Ao fim de alguns meses e muitas horas espremidas chegou finalmente o dia: “Os 10 erros da troika em Portugal”, editado pela Esfera dos Livros, chega às livrarias.

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Tudo começa com o PEC IV de José Sócrates para melhor percebermos o espírito em que nasceu o primeiro memorando assinado com a Comissão Europeia, FMI e BCE em 2011:

O consenso entre as autoridades dizia que o problema das economias sob pressão era essencialmente orçamental e que era preciso mostrar empenho e determinação, sem olhar a custos. Reproduzindo as palavras de um alto responsável do Ministério das Finanças da época, a preocupação por essa altura era só uma:  “sinalizar aos mercados um compromisso forte” com a redução do défice orçamental. No fundo “agarrar o problema pelos cornos”.

O desafio era, infelizmente, bem mais complexo, e a crise não se deixou dominar pelas decisões nacionais. Com excepção da Grécia, as maiores fragilidades nacionais não eram sequer orçamentais. A elas juntavam-se outros desequilíbrios e deficiências graves na arquitectura institucional da zona euro. Infelizmente, em 2011, nenhum responsável, nem em Portugal nem na Europa, estava preparado para assumir a dimensão do desafio.

Seguem-se aqueles que me parecem ser os principais erros de um plano económico com resultados desoladores. A culpa, se assim lhe pudermos chamar, naturalmente que não é apenas das três instituições credoras. Há erros do passado e há um Governo em Lisboa que conduziu com afinco a estratégia, querendo mesmo ir além da troika. Mas, pela forma como influenciaram as políticas nacional e europeia nos últimos anos, Comissão, FMI e BCE estão no centro da equação.

No entanto, muito mais do que distribuir responsabilidades, o livro tenta argumentar que o que se passou em Portugal não pode ser (e não é) o melhor que a política tem para oferecer. Havia e há alternativas.

Os dez erros da troika em Portugal:

              • Erro 1: A austeridade excessiva em Portugal
              • Erro 2: A apologia da austeridade por toda a Europa
              • Erro 3: O poder da negação dos desequilíbrios Norte-Sul
              • Erro 4: A excessiva protecção dos bancos (e a recusa das reestruturações)
              • Erro 5: Ajustamento laboral: violento, radical e inconsistente
              • Erro 6: A reforma do Estado que não aconteceu
              • Erro 7: A TSU e a divisão dos portugueses
              • Erro 8: A pobreza esquecida
              • Erro 9: A Guerra com o Constitucional
              • Erro 10: A timidez das boas políticas

O resultado caminhará agora por si, já não é só meu. É também de quem o ler e criticar. A todos os que lhe dedicarem atenção estendo o agradecimento que dirigi aos que paciente e generosamente me ofereceram tempo, reflexão e inspiração.