Somos todos Sepp Blatter?

É por isso urgente encontrar novas formas de regulação assentes num esforço inter-governamental que garanta transparência e responsabilização na FIFA, UEFA e das federações nacionais. Se não fizermos nada, poderemos muito bem acabar todos cúmplices de Sepp Blatter e da perpetuação da corrupção no desporto mais bem sucedido da história. O futebol é demasiado importante para ser deixado a si próprio.

Visto por dentro, 29 de Maio

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Aprender jornalismo

Os últimos meses estão a ser feitos a aprender jornalismo. Eu com os meus alunos, eles comigo e com os que vão fazendo esta profissão na qual tenho privilégio de trabalhar na redacção e na sala de aulas.

No Economy Lab, o blogue dos alunos de Jornalismo Económico da Universidade Católica de 2015, vão sendo publicados resultados desta nossa temporada. E há bons trabalhos, com destaque para as notícias sobre a GALP. Para todos estes foi preciosa a ajuda de Pedro Marques Pereira e de Pedro Dias, responsáveis na empresa, que nos ofereceram algum do seu tempo. Um obrigado, claro.

Na pequena turma da Católica entramos agora na recta final. Alguns tentarão a sua sorte no jornalismo, outros nem por isso, mas todos ficarão com uma melhor ideia da importância de explicar e verificar o que se passa à nossa volta, da lealdade ao leitor, e de tornar interessante o que é importante. E com isso aprendemos em conjunto um pouco mais sobre esta bela profissão.

A vitória da Europa com o acordo grego

Não devemos subestimar a desconfiança entre partes radicais tão diferentes quanto os ordoliberais alemães (e os seus satélites onde se inclui o governo português) para as quais não houve erros nos últimos anos, e a esquerda radical que diaboliza a troika e as suas opções que chega a classificar de anti-europeias. O acordo do Eurogrupo de 20 Fevereiro e os posteriores compromissos de reforma por parte de Atenas são, por isso, inevitavelmente vagos. Mas ainda assim positivos. Senão vejamos.

Os gregos ganharam tempo para se preparem (que bem precisam dada a forma errática como se apresentaram nas últimas semanas e o fraco conhecimento que têm da máquina pública grega e da burocracia europeia) e garantiram margem para novas metas orçamentais – uma pretensão mais que razoável. E se tiveram de fazer marcha-atrás em boa parte da sua retórica, conseguiram ainda assim introduzir no debate sobre reformas as opiniões de instituições além da troika, com destaque para a Organização Internacional do Trabalho.

Do lado europeu, também há sinais positivos. A Comissão Europeia esforçou-se por apoiar um entendimento difícil à partida, e reforçou a importância política de respeitar tanto os acordos anteriores, como os eleitores gregos. O BCE fez voz grossa a Varoufakis, mas garantiu o financiamento mínimo à banca grega, condição necessária para que as negociações continuem; e Berlim também cedeu: ainda que só depois da intervenção de Sigmar Gabriel (o líder do SPD, partido que faz coligação com a CDU), Angela Merkel acabou por suavizar o “pegar ou largar” de Wolfgang Schäuble, aprovando a extensão do programa mesmo, com promessas vagas gregas.

Visto por dentro, 01 Março 2015

Gregos, a troika, e os esforços de Passos e Cavaco no Visto por Dentro

Follow-up na segunda….

Os gregos, os milhões de Cavaco e o esforço de Passos

Hoje em Bruxelas será um dia importante para as negociações entre as várias capitais europeias e Atenas. Depois da Grécia ter deixado cair a proposta de redução do valor nominal da sua dívida (o que para alguns observadores aconteceu cedo demais) para se concentrar em negociar um excedente orçamental primário inferior (1,5% contra os 4,5% previstos no programa de ajustamento), a distância entre as partes é agora relativamente pequena, pelo menos do ponto de vista financeiro.

O esforço neste momento deve ser o de tentar juntar as pontas sem implicar perdas para as várias capitais. E aí há muitas contas possíveis. Mas no fim, o que contará, será mesmo a vontade política. E a portuguesa, como já é comentado pela imprensa internacional, não parece ser grande.

16 Fevereiro 2015, Visto por Dentro

 

Grécia, radicais encontram radicais

Se o Syriza chegar ao poder no domingo, então pela primeira vez na crise europeia teremos um choque de radicais. O que virá depois será com certeza interessante. E pode até ser positivo. É que, pelo menos do ponto de vista da política económica, defender uma reestruturação de dívida pública grega, como faz Alexis Tsipras, dificilmente é mais radical do que a proposta europeia de que o país gere excedentes primários superiores a 4% do PIB por várias décadas.

18 Janeiro 2015, Visto por Dentro

Ainda o racionamento no SNS

Há uns tempos escrevi no Visto por Dentro sobre os riscos de racionamento no SNS e a obrigação política do Governo de analisar o problema e tornar pública essa avaliação.

Paulo Macedo, um ministro que passou por esta crise ao comando de uma das áreas que mais cortou na despesa, tem o seu mandato associado a esse sucesso, mesmo sem reformas que se vejam. Isso é pouco, especialmente para um ministro da Saúde. E pode vir a ser chocante. É por isso urgente e é sua obrigação analisar o impacto da austeridade nos resultados e nos serviços prestados pelo SNS. O risco é daqui a uns anos olharmos para trás e percebermos que, afinal, estava tudo tão claro e não fizemos nada.

Desde então sucederam-se notícias sobre problemas graves na saúde que tornam ainda mais

O Pedro Pita Barros escreveu um texto interessante sobre a inevitabilidade do racionamento em Saúde, especialmente em tempos de crise.  O Governo parece responder a apelos desesperados, mas faria melhor em contratar uma a análise externa ao que está, afinal, a acontecer na Saúde.

E você, é bom gestor?

Um dos principais problemas nacionais e um dos maiores enviesamentos da troika: em três anos de intervenção pouco ou nada se discutiram as práticas de gestão do sector privado. Nunca é tarde para começar.

Em vez de gastarem tanto do seu tempo a criticarem a gestão no sector público, como se o Estado pudesse ser a raiz da maior parte dos males do País, muitos dos responsáveis empresariais deveriam aproveitar alguma dessa energia para promoverem uma reflexão sobre as suas próprias práticas de gestão, e como podem ser melhoradas através da intensificação de actividades de formação e de “networking” internacional. Os governos deveriam fazer a sua parte, estimulando a formação de gestores, em particular nas PME, e promovendo a fusão de empresas e a inovação, como aliás recomendado já no passado a nível europeu.

Na última década e meia Portugal caiu numa armadilha de crescimento baixo que precisa de ser ultrapassada. Há vários choques externos que contribuem para esta estagnação (da moeda única à concorrência chinesa), mas como evidenciaram recentemente três economistas da Universidade do Porto (Mendes, Silva, Silva, FEP, 2014) não devemos ignorar que Portugal tem usado de forma ineficiente os recursos disponíveis. Os gestores são essenciais para inverter esta situação. Para início de debate talvez possam começar por responder a uma simples questão: e, você, pensa que é bom gestor?

14 Dezembro 2014, Visto por Dentro

 

Um tema por dia em economia

A Economia Info tem novidades:

Os que vão acompanhando a Economia Info já deram por conta da alteração: entrámos em 2015 com um ajuste à nossa informação diária.

Mantemos o acompanhamento da actualidade na agenda e as escolhas das melhores histórias do dia, mas escolhemos um tema que aprofundamos com a ajuda de dados, opiniões e a investigação que vai ser publicada por cá e lá fora.

Como sempre, o objectivo é contribuir em português para um melhor conhecimento do mundo económico à nossa volta, destapando enviesamentos e mostrando de forma simples os desenvolvimentos que vão marcando as nossas vidas.

Temos também uma nova foram de chegar até ao leitores: uma curta newsletter diária por email, que se junta à aplicação para iOS que passou a ser gratuita. Já não tem razão para não nos seguir.

Venha daí, participe e diga-nos como poderíamos melhorar.